Para a surpresa de muitos candidatos e educadores, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, trouxe como tema de sua redação os “Desafios para a formação educacional dos surdos”, abrangendo os obstáculos enfrentados pelos portadores de deficiência auditiva em seus processos de aprendizado.


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A dificuldade dos alunos em escrever a redação revela a importância de se discutir a inclusão, a acessibilidade e a realidade das pessoas surdas. Os principais desafios se referem às barreiras linguísticas, pois, apesar da língua brasileira de sinais (Libras) ser reconhecida em lei como a segunda oficial do país, a sociedade não está preparada para se comunicar com os surdos, que dependem principalmente dela para se expressar.

Para Marcelo Cavalcanti, diretor geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), referência na educação de pessoas surdas desde o século XIX, a dificuldade de desenvolver um texto sobre a questão relatada por muitos candidatos do Enem é sinal de que falta informação sobre algo tão importante.

Cavalcanti ressalta que este foi também o primeiro Enem em que surdos puderam utilizar o recurso de vídeo provas em Libras, permitindo maior entendimento do exame e de seus enunciados. A medida, observa, aumenta as chances dos surdos concorrerem em igualdade a uma vaga no ensino superior.

Em 2017, o Enem contou com a participação de aproximadamente 1,3 mil surdos e 3,4 mil pessoas com algum tipo de deficiência auditiva. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mais de 1,6 mil candidatos escolheram realizar seus exames através de vídeo prova, com tradução em libras, ao invés dos outros modelos disponíveis, por leitura labial e tradutor interprete de libras.

Marcelo Moita é deficiente auditivo e visual, estudante de jornalismo da Universidade Jorge Amado (Unijorge) em Salvador/BA

A inclusão, preparo e acolhimento

Segundo Marcelo Moita, 21 anos, deficiente auditivo e visual, estudante de jornalismo da Universidade Jorge Amado (Unijorge) em Salvador/BA, a inclusão do tema foi um marco importante, mas é necessário abordar todos os tipos de deficiência.

“Em 2013/2014 prestei Enem apenas para treinar, mas achei muito válido o tema da redação deste ano, embora pense que poderiam ter abordado mais tipos de deficiência, não só a surdez”, afirma Moita.

Sobre como foi sua experiência quando prestou vestibular, o estudante reiterou o quanto as técnicas de inclusão são importantes: “esse tema só veio mostrar o quanto é importante sempre discutirmos acessibilidade e inclusão, pois quando eu prestei vestibular, fiz minha prova em uma sala separada, onde uma pessoa lia a prova para mim e eu respondia, já que sou usuário do implante coclear e escuto através de aparelhos. Utilizo também uma técnica chamada Tadoma, que é um método de comunicação utilizado pelos indivíduos surdo-cegos, em que a pessoa deficiente coloca o polegar na boca do falante e os dedos ao longo do queixo. Já a redação do vestibular, fiz em um computador com as adaptações necessárias”.

O preparo da instituição, assim como o acolhimento do corpo docente e dos colegas, foram fundamentais. “Minha inclusão na faculdade foi muito boa, pois encontrei professores abertos a adaptarem o conteúdo para mim e meus colegas aceitaram a minha deficiência e me ajudam nos estudos”, concluiu Marcelo Moita.

 

3 COMENTÁRIOS

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